____ março 20, 2015 ____

Jornalismo Gastronômico

Minha relação profissional com a área de alimentos começou aos 15 anos, quando eu passei para o curso Técnico em Alimentos do então CEFET Química (atual IFRJ), integrado ao ensino médio. Lá descobri a diversificada área de alimentos e tive acesso a conhecimentos de química, microbiologia, boas práticas de fabricação, processamentos animal e vegetal, fermentação, bioquímica, nutrição – o universo era realmente diverso e se complementava. Quando me formei, tinha certeza de que não queria trabalhar nas áreas que se ofereciam para mim no momento: indústria ou laboratório terceirizado. Sentindo a carência de um olhar da área de humanas, sempre apaixonada por História e com o sonho desde criança de ser professora, fui fazer faculdade de História e me dedicar a pesquisa da História da Alimentação. Se no técnico eu colocava a mão na massa, na faculdade eu lidava com a leitura e as palavras.

Foi essa junção da alimentação com as palavras que despertou imediatamente o meu interesse em fazer o Curso de Jornalismo Gastronômico, dado pela Juliana Dias, do site Malagueta – palavras boas de se comer, na FACHA. Fiquei sabendo do curso através de uma amiga, a Tita, que é formada em Gastronomia pelo IBMR e que também queria se aventurar pelo universo das palavras e do jornalismo. Como eu já tinha o Sabor Diário, sabia que o curso poderia me ajudar com o conteúdo para o blog, mas principalmente eu queria ter um nova visão para a área da alimentação.

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A Juliana me fez pensar o seguinte: são poucas as empresas da área de alimentos que dominam esse mercado e são poucas as empresas de comunicação que dominam a comunicação em nosso país. A gente pode pensar o que ambos estão produzindo nesse sentido e não fazer mais do mesmo. Fazer diferente. E para fazer diferente é necessário pensar diferente. Embora eu já viesse refletindo a alimentação de forma inspiradora, como aprendi na faculdade de História, o curso de jornalismo viria somar e contribuir justamente nesse sentido de pensar diferente. Não necessariamente para inovar com um olhar competitivo-empreendedor para a área, mas para ver que tipo de atitude podemos ter na transformação do debate em torno da alimentação, que envolve em certa parte do processo a transformação do olhar do consumidor, do olhar para o que compramos e o que comemos, do senso crítico quando formos ler um livro, uma revista, uma matéria ou assistir a uma reportagem sobre gastronomia. E pensar que efeitos queremos que nossas palavras tenham ao alcançar o leitor.

Em relação a composição da turma do curso, eu não me identificava com alguns diálogos e comentários, que eram a expressão em palavras do caminho oposto ao que eu tomava, mas encontrei em outras pessoas (afinal, a turma era diversa) e no conteúdo do curso o caminho de aproximação com os movimentos sociais, de ver a gastronomia para além da Zona Sul do Rio de Janeiro, de não elitizar algo que todos fazemos e precisamos fazer: comer. Faz-se necessária uma lente que permita enxergar também o popular, para que a gastronomia não se restrinja a uma visão associada aos restaurantes caros, pratos bem apresentados, nutrição para quem pode comprar tudo em lojas de produtos orgânicos e naturais, cardápios para quem dispõe de empregados que cozinhem no seu lugar. Acho que essa lente da qual falo pode ser, entre tantas outras, a escrita. Quando a gente escreve, a gente coloca algo em evidência para o nosso leitor. O curso serviu para que eu refletisse o que eu quero colocar em evidência quando falo sobre comida.  E enxergar isso me fez ver que precisamos sair de nossas bolhas ao abordar a alimentação, o que requer criatividade. E que dá pra fazer isso com leveza, com valor literário, com sinceridade, sentimento e poesia.

O curso está com inscrições abertas para uma nova turma, que começará em abril. Se informe clicando aqui.

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O Sabor Diário parte de registros pessoais, então, claro, essa é minha experiência com o curso de Jornalismo Gastronômico da Juliana Dias.

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