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____ agosto 20, 2016 ____

Cafézushi

Eu já comentei aqui no blog que não é tarefa fácil encontrar variedade de comida japonesa no Rio de Janeiro. O Cafézushi é um ótimo lugar para quem quer experimentar comida japonesa em sua diversidade e qualidade. Algumas pessoas que eu conheço, amantes dessa culinária, já tinham me indicado o restaurante. Hoje eu fui conhecer e certamente é um local ao qual eu voltaria.

Comecei experimentando gyoza (ou guioza), uma massa de farinha de trigo e água, fininha e macia, recheada com carne de porco. É um prato bastante popular no Japão, mas já ouvi dizer que é uma receita chinesa, levada para o Japão durante a Segunda Guerra Mundial, quando as receitas com farinha estavam substituindo o arroz que estava em falta.

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Também experimentei os onigiris, bolinhos de arroz recheados com salmão cozido. Mas, como eu prefiro o salmão cru, também pedi algumas peças de sashimi e estavam bem saborosos, diferentes dos últimos sashimis que andei comendo por aí.

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O karê já foi parte do prato da minha irmã e aqui vale uma observação: os pratos estavam geralmente acima de 35 reais, mas a porção é bastante generosa e por isso mesmo minha irmã acabou me dando parte do prato dela.

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Pra finalizar, eu pedi um pedaço do rocambole de chocolate com brigadeiro que eu estava namorando na vitrine desde que cheguei lá. Foi uma boa forma de terminar a refeição. Como disse um amigo que foi conosco “seria bom se todo lugar servisse um pedaço de bolo desse tamanho”. Pode não parecer na foto, mas a sobremesa deles também é servida em quantidades generosas.

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O “CaféZushi: Cafeteria e Sushis” também serve, como o próprio nome sugere, cafés, além de pizzas e sanduíches. Bom atendimento, espaço simples e aconchegante.

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Cafézushi: Estrada da Uruçanga, 161 – Anil, Rio de Janeiro

____ agosto 09, 2016 ____

Jiro Dreams of Sushi

Às vezes, quando eu durmo, sonho com sushis.” A frase mostrada nos primeiros minutos, dita por Jiro Ono, explica o nome do documentário e ganha um significado muito maior quando, aos poucos, vamos sendo apresentados a toda a complexidade de preparo gastronômico e de histórias de vidas que envolvem os sushis de Jiro. A beleza das imagens que mostram a preparação da comida despertam o apetite do espectador e confirmam o fato de que comer envolve todos os nossos sentidos. Assistindo Jiro Dreams of Sushi comemos com os olhos e terminamos o documentário com fome. Uma fome de perseguir sonhos e de sermos melhores e – por que não? – uma fome de viajar e conhecer o Japão. O documentário já se tornou o meu favorito (sem medo de errar nessa tarefa difícil que é determinar preferências) e agora vivo insistindo que meus amigos vejam.

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Três coisas para saber inicialmente a respeito do restaurante de Jiro é que lá serve-se apenas um prato (sushi), o espaço possui apenas 10 lugares e a conta é cara. Localizado numa estação de metrô de Tóquio e sem banheiro, foi o primeiro restaurante do tipo a receber três estrelas do Guia Michelin. A reserva deve ser feita com meses de antecedência e a excelência é certeza do atendimento. Jiro estuda seus clientes e os atende de forma específica: se são homens ou mulheres, destros ou canhotos. O documentário se tornou meu favorito por reforçar toda a minha visão sobre alimentação: temos um restaurante pequeno que serva apenas um prato e ao mesmo tempo temos a amplitude do que ele carrega. O que parece micro, torna-se macro. A história de Jiro é também a história do Japão e temos acesso a uma cultura e uma sociedade através dos sonhos de um indivíduo. Uma visão de mundo que pode ser bastante diferente da nossa (ocidental) e ainda assim dialogar com quem somos e quem queremos ser.

O documentário, dirigido por David Gelb, nos mostra concepções interessantes, como a visão japonesa de disciplina, as conquistas que vem do trabalho duro, a hierarquia de pai pra filho (o filho mais velho que deve ser o sucessor do pai na tarefa e que carrega este destino de forma muito respeitosa) e a própria hierarquia dentro do restaurante, onde os aprendizes passam muito tempo torcendo toalhas quentes (oshibori) antes de fazerem sushis. Tudo isso está ali nos dizendo que é preciso buscar a perfeição em cada ato que envolve o preparo do alimento e que deve-se ter a noção de que a verdadeira excelência exige tempo e dedicação de anos. Jiro tinha 85 anos quando o documentário foi filmado (em 2011), nenhuma vontade de se aposentar e a certeza que mesmo sendo o melhor, ainda podia superar a si mesmo, diariamente.

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Jiro conta com uma equipe na qual confia e que executa as diferentes etapas do preparo de um sushi, chegando a dizer que, hoje, ele fica com a parte mais fácil e os créditos de um trabalho feito a muitas mãos. Antes da equipe de seu restaurante estão os fornecedores dos ingredientes – o arroz, o camarão, o polvo, o atum – cada um especialista em sua área. Ninguém alcança o sucesso sozinho e nesse processo de trabalho em equipe a base é a confiança. Eles confiam em Jiro e Jiro confia neles.

Li algumas resenhas que acabavam falando que o documentário não é sobre culinária. Eu discordo. É um documentário sobre culinária e talvez seja o melhor, porque torna evidente como a alimentação é história. Como um sushi é também a história de um homem, de uma família e de um país. Agora, quem anda sonhando com sushis sou eu.

____ julho 15, 2016 ____

5 dias de realidade – Dia 5: This is real life

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Voltamos à nutricionista Ana Carolina e seu blogNeste texto, ela questiona “Será que estamos mesmo preparados para enfrentar a “epidemia da obesidade” ou será que estamos contribuindo negativamente com a saúde e o bem-estar dos indivíduos com excesso de peso?” Não dá pra combater obesidade sem abordar a forma depreciativa como a pessoa vê o seu corpo, sem considerar o mito da beleza ou o impacto psicológico que o tratamento tem no indivíduo.

Como aponta a nutriocinista Paola Altheia, autora do blog “Não sou exposição“, a nossa sociedade já cultua um estilo de vida que causa doenças e não é saudável. E esse estilo de vida doentio que cultuamos não se relaciona com o empoderamento de pessoas gordas, mas sim com o descrédito das mesmas e a supervalorização de corpos magros e é essa sociedade, exatamente essa, que apresenta os tais índices alarmantes de obesidade. É esse discurso estigmatizante e preconceituoso que está contribuindo pra isso e não pessoas desenvolvendo com muita dificuldade um olhar menos depreciativo para seu próprio corpo.

Aos amigos que compartilharam ou curtiram a imagem da página “Pós-moderno” que deu início a essa sequência de posts meus, gostaria que vocês pensassem um pouco mais no quanto um conteúdo na internet pode ser prejudicial a uma pessoa que já vem enfrentando dificuldades de aceitação, além de talvez problemas na saúde decorrentes do seu peso (considerando aqui os problemas também psicológicos e emocionais).

Recomendo: