Eventos

____ outubro 19, 2015 ____

Bienal do Rio

Minha ida a Bienal não envolveu assistir nenhuma palestra. Fui em apenas um dia, passei todo o tempo visitando stands e me dei conta de que estava exausta ao final do dia. Lugar paticamente intransitável, alguns stands com filas para entrar (e dentro era difícil olhar as coisas com tranquilidade), pessoas se esbarrando por todos os cantos. Normalmente eu evitaria isso, se o lugar em questão não estivesse cheio de livros!

Queria visitar o stand da Editora Senac para comprar dois livros: “De caçador a gourmet” e “Gula – História de um pecado capital”, mas eles não tinham este último. Acabei comprando o primeiro, um outro livro escrito por uma historiadora e um terceiro que é um guia da gastronomia carioca, com endereços de todo tipo de estabelecimento. Relutei um pouco nessa compra, mas olhando com calma em casa achei o guia bem completinho e espero que seja realmente útil. Uma vez comprado o que me propus e desistido do que não encontrei (alguns livros da Universidade Federal do Paraná também sobre História da Alimentação, mas eu já imaginava não encontrar), comecei a olhar as promoções. Entre livros sobre os trabalhadores no Brasil e a representação do país em Hollywood (cada um me custou 3 reais), comprei mais um sobre comida: “Adeus aos escargots”, que custou 7 reais. Acabei também comprando um livro sobre a histeria no teatro ou o teatro da histeria de Charcot, porque fiz teatro amador, juro pra minha carinha de pau que um dia vou voltar a fazer e na faculdade além da disciplina de História do Teatro, participei do Laboratório de Historiografia Teatral, tendo alguns livros na área e muito interesse, afinal, não é só de História da Alimentação que eu vivo. Mas, vamos aos livros sobre comida.

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De caçador a gourmet: Formado em Sociologia pela Universidade de Paris, Ariovaldo Franco, que foi professor da Universidade de Brasília nos anos 1960 e atualmente vive na Bélgica, escreveu “De caçador a gourmet” de forma a levar a relação da humanidade com o alimento a um público que estivesse além dos muros da academia. Aborda a formação do gosto no processo de socialização, a influência dos descobrimentos marítimos nas trocas de sabores, o momento de predomínio do gosto francês e reflete sobre a chamada “McDonaldização“. Foca nas culinárias dominantes, que considera terem influenciado a noção de gastronomia mundial. Entre essas estão as culinárias da China, do Japão, do Oriente Médio, da Itália e da França.

Dos cadernos de receitas às receitas de latinha: A autora deste livro, Débora Oliveira, é historiadora e mestre em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Ela trata em seu livro sobre o processo de incorporação pelas donas de casa, as chamadas “rainhas do lar”, da modernidade e das transformações que o Brasil vivia no início do século XX, como a urbanização, em suas culinárias e formas de se relacionar com a comida. O livro fala sobre industrialização, marketing, modificação do papel feminino na sociedade e saber culinário.

Adeus aos escargots: O livro de Michael Steinberger se propõe a falar sobre a ascensão e queda da culinária francesa. Ele argumenta que há 25 anos era difícil fazer uma refeição ruim na França, enquanto hoje em dia o desafio é encontrar boa comida. Além disso, chefs e restaurantes franceses estariam perdendo reconhecimento para profissionais de outros lugares do mundo. Outra informação: o McDonald’s tem na França o seu segundo lugar mais lucrativo. Com essas informações, o autor realizou uma viagem pela cena gastronômica do país, entrevistando chefs, abordando a polêmica do Guia Michelin, inclusive com o próprio diretor editorial do Guia e foi atrás daqueles que buscam revigorar a herança culinária francesa.  Michael é jornalista, assina uma coluna sobre vinhos na revista Slate e é colaborador do Financial Times.

O guia do gosto carioca: A proposta do guia é mostrar um panorama da gastronomia no Rio de Janeiro, desde locais mais tradicionais até ambientes considerados mais “descolados”. Através desse levantamento de endereços, o guia alega traduzir o espírito carioca, comentando sobre botecos, restaurantes finos, sorveterias, padarias, mercados, feiras e produtores rurais. Para cada lugar vem o endereço, telefone, horário de atendimento, página na internet, descrição do ambiente e do atendimento, sugestões do que pedir e curiosidades. Além disso, o guia informa a média de preço de uma refeição completa (considerando entrada, prato principal, sobremesa e bebida não alcoólica), se o estabelecimento faz entregas, se aceita cartões de crédito (e quais aceita), se aceita tíquete alimentação, se é recomendável fazer reserva, se tem acesso para cadeirantes e estacionamento. Parece bem completo, né?

Lembrando que eu ainda não li os livros e estou comentando o que me fez comprá-los numa olhada geral. Conforme eu fizer as leituras, escreverei melhor aqui no blog.

____ outubro 17, 2015 ____

Hambúrguer e pão de queijo

Recentemente estive numa feira de moda, gastronomia e arte, a Armazém 4, no Tijuca Tênis Clube, que fica – lógico! – na Tijuca, aqui no Rio de Janeiro. Gosto da proposta de feiras assim por aqui, o ambiente era agradável e no dia estava caindo uma chuvinha fraca que deixou tudo mais aconchegante (bom, eu gosto de chuva). Perambulei um pouquinho pela área de gastronomia e tive algumas boas surpresas.

Pela parte de moda passei praticamente direto (dei uma andada rápida pela área) porque não avistei nenhum item com o preço e tenho birra com esse esquema de venda que obriga o cliente a perguntar ao vendedor ou à vendedora o valor para que, uma vez estabelecida a comunicação, eles comecem a te convencer a comprar algo pelo qual muitas vezes você não pode pagar ou não considera o preço justo. Tenho birra mesmo e queria preços bem visíveis. Comunicação sincera, sem ninguém precisar te prender numa conversa pra te empurrar uma mercadoria.

Já na parte de gastronomia, a maioria tinha os preços dos produtos em cartazes ou quadrinhos de giz e eu me senti a vontade para comprar o que eu quisesse. Outra questão é que as pessoas estavam interessadas em falar sobre o seu produto, porque eles mesmos que estavam vendendo, faziam as comidas e conheciam suas matérias-primas. Acreditavam no que estavam fazendo. Visitei a barraca de uma nutricionista com cardápios de comida para o dia a dia, a bicicleta decoradinha de amigos que estavam vendendo palhas italianas e uma dupla que vendia biscoitos cookies desde o tradicional até opções sem glúten e sem lactose. Alguns ofereciam pequenas amostras para a gente experimentar.

Nessa de conhecer, acabei comendo um hambúrguer Macho Gourmet. Vejam bem, juntar hambúrguer com pão de queijo deve soar delicioso para a maioria das pessoas, mas eu não sou a maior fã nem de hambúrguer, nem de pão de queijo. Já tinham me dito que eu precisava experimentar e eu fui movida pela curiosidade. Ainda bem que eu experimentei!

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O hambúrguer era de alcatra, servido em pão de queijo, com geleia de pimenta e cream cheese. O tamanho é maior do que um pão de queijo comum, mas não chega ao tamanho de um pão de hamburguer. É algo intermediário e se eu não tivesse comido outras coisas, comeria dois. Custou 20 reais, o que eu achei ok pela novidade, pela qualidade dos produtos usados, pelo sabor e o trabalho. Olha, estava uma delícia! E mamãe, que estava comigo, também aprovou. Lá no instagram eu publiquei algumas outras fotos do evento.

____ outubro 07, 2015 ____

Sabores do Japão

A Associação Nikkei do Rio de Janeiro fica em Cosme Velho e é um casarão, visto de fora. Encarregada de promover a cultura japonesa, ao longo do ano a Associação organiza alguns eventos que se dividem em dois espaços: um para apresentações de taiko e artes marciais e um outro espaço com a gastronomia japonesa, onde várias barraquinhas se encarregam da culinária. Nunca cobraram pela entrada, você só precisa pagar pelo que consome e pelas mesas, caso queira sentar. Eu diria que é um evento bem familiar. Nada hype ou marqueteiro, fácil notar isso nas pessoas e na organização.

A festa de Tanabata Matsuri é uma gracinha com as árvores para pendurarmos nossos pedidos e a lenda por trás da data, que diz que Orihime e Hikoboshi se encontram apenas uma vez por ano. Infelizmente, esse ano não pude ir ao Tanabata nem ao Festival do Japão, que também ocorre todo ano no Flamengo. Mas achei perfeito um evento chamado “Sabores do Japão” porque uma das melhores coisas das festas do Clube Nikkei é a comida!

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Eu amo sushi e sashimi, mas não aprecio nenhum “hot” nas comidas japonesas pois o sabor da gordura me deixa enjoada (isso em qualquer comida) e também prefiro sem cream cheese, o que significa que eu fico geralmente no peixe cru com gohan (o arroz branco japonês) mesmo. Dentro desses meus gostos eu comi o temaki de salmão, bem gostoso. Mas me aventurando fora dos meus gostos, eu comi okonomiyaki, que é uma espécie de massa de panqueca com vegetais, frutos do mar e maionese. Eles estavam colocando bacon também, mas eu pedi o meu sem por motivos de: odeio bacon. O okonomiyaki é bem saboroso e o molho tonkatsu dá toda a graça ao prato. Além do temaki e do okonomiyaki, eu comi o yakisoba. A porção era bem generosa, mas o gosto dos vegetais tomavam conta do prato, não consegui sentir o sabor da massa ou da carne. Também provei o karê. Eu diria que é uma sopa de consistência grossa com vegetais em grandes pedaços e tempero a base de curry (karê, em japonês), servida com gohan. Uma delícia. Bom, também achei que eles perderam ao não fazerem o takoyaki, que costuma fazer sucesso.

Geralmente as filas pra comida estão enormes e é difícil caminhar pelo evento. Filas e muita gente transitando por um evento são razões para eu não ir, mas os do Clube Nikkei ocorrem esporadicamente e como o clima é tranquilo, acho super ok. Senti esse evento mais vazio, mas quem não foi perdeu uma ótima oportunidade de experimentar a comida japonesa a um preço bacana e num ambiente propício pra entrar em contato com a cultura.