Eventos

____ março 30, 2015 ____

Evento “Conhecer e comer: Caminhos para Redescobrir a Comida de Verdade”

No dia 24 de março ocorreu o evento “Conhecer e comer: Caminhos para Redescobrir a Comida de Verdade – Perspectiva do Guia Alimentar para a População Brasileira“, que lotou o Auditório Roxinho do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da UFRJ. O evento, que começou de manhã e foi até o início da noite, contou com conferências, palestras, painéis e bate-papos com profissionais engajados no assunto da comida de verdade e da soberania alimentar, enriquecendo um debate atual e direcionado pelo lançamento do Guia Alimentar.

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Ao discutir os ultraprocessados e para quem esses alimentos seriam convenientes, o evento trazia a ideia de que a alimentação é muito mais do que a ingestão de nutrientes e se relaciona com aspectos culturais e sociais. A discussão trouxe a reflexão da diferença entre ALIMENTO e PRODUTO COMESTÍVEL ao analisar o alto teor publicitário por trás das indústrias de alimentos que dominam o mercado. Nesse sentido, também foi discutido o papel da publicidade infantil que vende às crianças produtos com grande adição de açúcar e bastante artificiais, embaçados por uma ideia de energia e presença de vitaminas, bem como comerciais com personagens associados ao público infantil e crianças atuando, o que aproxima o público infantil da mensagem. Muito interessante tratarmos como “produto” e colocarmos as coisas em seus devidos lugares, porque as palavras que usamos para nos comunicar também nos posicionam politicamente sobre um assunto e mostram que caminhos queremos tomar numa discussão.

O vídeo de Michael Pollan, gravado especialmente para o evento, parabenizava o Brasil pelos caminhos tomados por esse Guia Alimentar, que apesar de suas limitações e da necessidade de reformulação/atualização do Guia Alimentar para crianças menores de dois anos, já demonstra uma mudança importante ao proporcionar uma visão sobre a comida de verdade e colocar em questão a prioridade do consumo de produtos in natura ou minimamente processados ao invés dos ultraprocessados. Segundo Pollan, devemos optar pelas áreas do mercado que vendem comidas frescas. Pollan ainda falou sobre evitarmos produtos que contenham muitos ingredientes, especialmente ingredientes difíceis de pronunciar, dividindo de forma bem humorada sua experiência conosco.

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A discussão sobre soberania alimentar nos trouxe a importância de compreender o todo envolvido na produção do alimento e a necessidade de se ter em mente que a comida de verdade é feita por gente de verdade, quando hoje em dia já estamos tão distanciados do processo de produção. Não poderia faltar, claro, a discussão sobre a concentração de terras no Brasil e o olhar para os movimentos sociais que estão inevitavelmente ligados à busca, de nossa parte, por uma soberania consumidora. Para isso, precisamos de uma soberania produtora, como bem salientou a Dra. Daniela Sanches Frozi (FIOCRUZ/DF PALIN).

O auditório lotado mostrava o quanto é relevante para estudantes e profissionais de diferentes áreas o debate sobre o que comemos e deixava nítida a vontade de discutirmos a comida (!!) para nos apropriarmos de nossa alimentação, do preparo da refeição, da cultura e da História que todo esse processo envolve. Como disse Regina Tchelly, do projeto Favela Orgânica, “o alimento é para unir”. Ali estávamos unidos pela comida de verdade.

____ janeiro 31, 2015 ____

Seminário Soberania Alimentar

Em novembro do ano passado, eu participei como ouvinte do Seminário Soberania Alimentar – Diálogos entre o campo e a cidade, e já há tempos queria trazer isso aqui pro blog, porque quando eu escolho falar sobre alimentação, eu faço uma escolha política. E a importância desse seminário e dos movimentos ligados à ele é imensa.

Quando pensamos em soberania pensamos em uma alimentação que seja realmente democrática, pois sabemos que a escolha do que comer é limitada por aquilo que é mais acessível e mais barato. Optar por uma alimentação saudável, da qual se conheça melhor a procedência é difícil atualmente e não é à toa. A soberania alimentar vem representando essa noção de que a nossa escolha precisa ter uma via mais prática do que vem tendo. E essa via não está nas mãos do agronegócio e/ou das empresas multinacionais.

O seminário que eu assisti defende o papel do campesinato nessa tarefa. O camponês que gosta e quer continuar a morar no campo e sabe que pode produzir alimentos sem adubos químicos, sem transgênicos, sem venenos, com uma procedência mais natural e mais justa, não apenas pelo alimento em si, mas mais justa socialmente.

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É muito comum reclamarmos da dificuldade em se ter acesso à alimentação natural, pelos preços e mesmo pela falta de informação. Enquanto isso, alguns alimentos praticamente caem no nosso colo, porque dispõe de muita publicidade e recebem muitos investimentos. Que alimentos são esses? Quem os produz? A informação que queremos não é a que nos chega com facilidade. Ela precisa ser buscada. E essa busca nos leva a um ponto interessante: dar mais voz aos movimentos sociais.

Precisamos romper a ideia enraizada de que a tecnologia e o uso de agrotóxicos é o melhor para a produção de alimentos. Isso nos afasta da origem do alimento, além de ser uma ideia reproduzida por aqueles que vendem essa tecnologia, as máquinas pesadas e os adubos. Para além disso, é necessário falar em reforma agrária. A história do Brasil se fez através da concentração de terras nas mãos de poucos e os poucos que dominam essas terras não tem o interesse de produzir para o bem do povo. Essas são verdades escondidas, as quais só enxergamos quando levantamos o tapete da hipocrisia.

Levantar o tapete da hipocrisia implica não jogar a responsabilidade para o outro, mas se enxergar como agente, seja por reafirmar esse sistema de produção injusto, seja por buscar a mudança. Você quer mudar. Mas está disposto?

Espero encontrá-lo num próximo seminário,

____ dezembro 18, 2014 ____

São Paulo

Passei um final de semana e mais uma segundinha delícia em São Paulo com alguns amigos e pude turistar pela cidade. Já tinha ido a São Paulo outras duas vezes, mas nunca tinha conhecido melhor a cidade porque sempre fui pra algum evento específico e voltei correndinho pro Rio. Dessa vez foi bem divertido e pude reafirmar meu amor por esse lugar, agora com direito a dizer que conheci lugares nos quais antes só falava, como a Liberdade e a Galeria do Rock.

Bom, eu e meus amigos ficamos no We Hostel Design, um albergue muito charmoso, simpático e limpinho na Vila Mariana. A galera hospedada cuidava direitinho e as pessoas que trabalham lá são todas umas lindas e fofas. O esquema pra economizar dinheiro eu percebi que é mesmo passar num mercadinho e comprar a comida que você vai fazer/comer ao longo dos dias (macarrão, arroz, salada, frutas). Se programar direitinho, dá pra fazer a comida lá e levar lanchinhos quando sair, para não precisar gastar comendo salgados gordurosos e mal feitos, por exemplo. Eu cheguei a fazer comida um dia lá com o bifum e o shitake que comprei na Liberdade, mas não me programei gastronomicamente falando e a refeição que fiz na rua estava muito ruim, nem o arroz estava apreciável. Então, essas coisas que eu estou falando eu percebi na prática mesmo. Não é difícil fazer comprinhas básicas num mercado e isso não é apenas pra quem é ou está virando vegetariano, mas pra qualquer um que queira comer com um mínimo de qualidade sem gastar muito dinheiro.

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A comida ruim que comprei “na rua”:

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A Liberdade não me decepcionou. O bairro é uma graça e no dia em que fomos estava rolando uma feirinha. Várias barraquinhas nas cores do Japão vendiam comidas, roupas e artesanato. Aqui no Rio, perto da minha casa, tem dois mercadinhos de culinária oriental e eu não tenho dificuldade para encontrar essas comidinhas, mas lá na Liberdade elas tem um preço mais acessível, então imaginem a minha felicidade comprando um sacão de shitake desidratado por 16 reais! Eu já cozinhei esse shitake para seis pessoas e ainda tem muito! Comprei também o macarrão bifum e um arroz para tentar fazer um risoto em casa. Vi por lá vários dos biscoitinhos que a minha irmã adora, com suas embalagens fofinhas e coloridas.

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Fizemos um passeio pelo Centro e fomos ao CCBB, aonde eu comi um brownie que levava vinho e estava uma delícia – e tinha mesmo que estar pelo preço que paguei nele! Enfim, brownies são sempre mais caros. No caminho, passamos por uma manifestação do grupo VEDDAS (Vegetarianismo Ético, Defesa dos Direitos Animais e Sociedade). Cada membro carregava um animal morto, o qual informavam ter sido obtido no lixo das respectivas indústrias e trazia abaixo do animal o escrito “vítima do(a) paladar/moda/ciência…”. Chocante. Várias pessoas paravam para olhar e achei legítima essa forma de chamar atenção. Passou um babaca usando da Bíblia pra legitimar o fato de comermos animais, mas só passou mesmo. O infeliz nem se deu ao trabalho (e nem nos deu o trabalho) de parar por ali. Amém.

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A luta pela libertação animal:

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Domingo fizemos um piquenique no Ibirapuera. Meus amigos torciam o nariz pra chuva e pediam sol, mas eu amo aquela chuvinha fina que fazia por lá e achei muito gostoso o fato de termos nos abrigado em um lugar coberto e feito o piquenique observando a chuva cair sobre a grama. ^__^ O piquenique tinha bananas, morangos, uvas, salgadinhos de padaria e suco de goiaba. As frutas deixam o piquenique mais bonito e colorido, além de gostoso!

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Fiquei impressionada com a quantidade de gente andando de skate a qualquer hora do dia. Aqui no Rio temos a orla fechada aos domingos, o Aterro do Flamengo, a Lagoa… E sempre tem alguém andando de skate, mas não é maioria. Muita gente corre por ali, anda de bicicleta e de patins. Em São Paulo, nos lugares onde andei, era skate o tempo todo e domingo no Ibirapuera não foi diferente.

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Aproveitamos para conferir a exposição no Museu de Arte Moderna (MAM) e não me decepcionei. A exposição chamava-se “mal-entendidos” e era de Rivane Neuenschwander. A primeira sala tinha letras esculpidas em laranjas e limões dispersas em caixotes e o visitante podia interagir (adoro!) formando palavras ou o que quisesse com o material disponível. Achei lindo o fato dessa obra interativa misturar o alimento com o afeto e a memória (as pessoas escreviam nomes de pessoas queridas, seus próprios nomes, lugares, frases, poesia etc) e a vida associada àquilo que é orgânico. Toda a exposição trazia esses aspectos: o alimento, o afeto, a memória, a vida, o orgânico. Foi muita sorte (ou boas energias ao longo da viagem) eu ter visto isso!

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A sala seguinte funcionava dessa forma: a pessoa se dirigia ao cartunista (acho que era necessário marcar horário) e descrevia o seu primeiro amor. O artista desenhava, assinava e então o desenho ia para a parede. Enquanto eu olhava os desenhos e imaginava quem seriam aquelas pessoas e quem as tinha descrito, eu ouvia ao fundo um homem com a filha no colo, descrevendo os traços de uma mulher. Não sei vocês, mas eu tenho uma imaginação que vai longe e essas coisas mexem comigo.

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Outra sala visitada trazia 365 listas de compras coletadas em diversos supermercados de Londres entre junho de 2013 e maio de 2014 e estavam organizadas de acordo com as quatro estações do ano. Novamente a artista se apropria de outras vidas, outras histórias e da noção do orgânico e do acaso. Cada canto da exposição trazia muito de muitas pessoas e tinha bem forte a questão da alimentação, dessa forma tão sensível e poética e ao mesmo tempo real.

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Ainda fomos até o oitavo andar do Museu da USP, de onde contemplamos o céu nublado e a cidade.

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Todas as fotos foram tiradas com o meu Iphone, com exceção de uma do piquenique que foi tirada pelo meu amigo Ricardo. Não tenho fotos da Galeria do Rock nem do passeio do último dia, que foi na 25 de março.