Filmes

____ agosto 22, 2015 ____

A fantástica fábrica de chocolates

Willy-Wonka-on-Cooking-ChannelUm dos filmes que marcou a minha infância foi A Fantástica Fábrica de Chocolates, a primeira adaptação do livro de Roald Dahl para os cinemas. Depois, em 2005, Tim Burton também dirigiu a sua versão para a história. O filme que traz Johnny Depp como Willy Wonka me divertiu ao assisti-lo no cinema, mas nunca teve para mim aquela mistura do macabro com a magia que é você ganhar um cupom dourado e visitar uma fábrica de chocolates misteriosa e bastante peculiar. Claro, o primeiro filme eu assisti na televisão durante a minha infância, várias e várias vezes, então ele marcou uma fase da minha vida.

“A Fantástica Fábrica de Chocolates” é originalmente um livro, de Roald Dahl. A história tem uma continuação, chamada “Charlie e o Grande Elevador de Vidro”. Uma curiosidade é que Roald Dahl também é autor da obra “As bruxas”, que foi adaptada para o filme traduzido aqui no Brasil como Convenção das Bruxas, que também marcou minha infância. E mais: ele também escreveu “Matilda”. Eu sou apaixonada por todos esses filmes e todos esses livros e recomendo a leitura para aqueles que só conhecem os filmes.

Charlie_and_the_chocolate_factory_poster2Resumindo a história, a fábrica de chocolates de Willy Wonka manteve suas portas fechadas por muitos anos, quando o dono se sentiu traído por ter suas receitas inovadoras passadas à outras marcas por pessoas que trabalhavam com ele. Após um tempo aparentemente sem funcionar, a fábrica voltou a fazer seus produtos, sem ninguém entender quem está por trás daquilo, uma vez que não são vistas pessoas entrando ou saindo do lugar.

Willy Wonka resolve distribuir dentro de suas embalagens cinco cupons dourados que levariam cinco sortudos ao interior da fantástica fábrica. Assim chegamos às crianças: Augustus Gloop, Veruca Salt, Violet Beauregarde, Mike Teavee e Charlie Bucket, o nosso personagem principal, o menino pobre, pertencente a uma família boa e humilde, diferente das outras crianças mimadas e mal educadas. O nome do livro é “Charlie and the Chocolate Factory”, assim como o filme de Tim Burton. Já o filme de 1971 se chama “Willy Wonka and the Chocolate Factory” (vocês podem ver isso pelos cartazes que ilustram essa postagem).

a-fantastica1Como sempre acontece, além dos filmes cortarem coisas do livro ao adaptarem a história para os cinemas, outras partes são inventadas, como a cena em que Charlie e seu avô experimentam, escondidos do grupo, uma bebida que os coloca em uma situação de risco, no filme de 1971, ou a infância de Willy Wonka, na versão de 2005. Os oompa loompas também ganham diferentes versões. Na minha opinião, o filme mais antigo mantém o ar macabro da fábrica, aquela sensação de que tem algo muito estranho por trás, e a lição dada às crianças, assim como a excentricidade de Willy Wonka. Todos esses aspectos me parecem caricatos na adaptação mais recente. O que eu senti no filme de Tim Burton é que toda a história foi levada a um nível de show, as perfomances musicais, a comédia e os efeitos. Ainda que eu ache o filme divertido, são críticas que eu faço.

CHARLIE_E_O_GRANDE_ELEVADOR_DE_VIDRO_1287767592BQuanto aos livros, a continuação, “Charlie e o Grande Elevador de Vidro” não é tão legal quanto o primeiro livro. A Fantástica fábrica traz toda a história da fábrica, dos oompa loompas, do Willy Wonka e as personalidades das crianças. A história é mais rica e amarrada e os personagens são mais interessantes, enquanto o segundo livro parece meio esvaziado nesse sentido. E embora pareça impossível, a história do segundo livro é muito mais viajada! Se antes, um barco em alta velocidade num rio de chocolate parecia surreal, dessa vez as coisas que acontecem não tem nexo sequer para a história. O barco mostrava o perigo que tinha aquela aventura que parecia maravilhosa, mas na história seguinte, um personagem do espaço que tenta atacar as pessoas (só pra dar um exemplo), não traz nada que possa ser aproveitado para algum objetivo final.

Bom, a forma como Roald Dahl escreve te prende durante a leitura e suas obras podem ser lidas rapidamente. Os livros que ilustram a postagem, da Martins Fontes, são os que eu tenho e que comprei na Estante Virtual.

____ agosto 06, 2015 ____

Bistrô Romantique

A história de Bistrô Romantique se passa em um restaurante, no Dia dos Namorados. O filme reúne histórias paralelas de diferentes tipos de casais que fizeram reserva para aquela data. Assim, há um casal cuja mulher está cansada da rotina do casamento, limitada a cuidar dos filhos e do marido, enquanto o marido tem atitudes machistas e um comportamento arrogante. Tem-se a história, em contraponto, de um casal jovem bastante animado com a comemoração, o que incomoda às mesas vizinhas. Também há uma mulher depressiva que marcou a reserva apenas para ela mesma e está ali para relembrar o dia em que foi pedida em casamento pelo ex-marido, que a trocou por sua amiga. E um rapaz tímido que combinou encontro pela internet. A história vai se desenvolvendo mostrando os conflitos dessas pessoas.

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Na trama principal, temos Pascaline, que administra o restaurante, enquanto seu irmão é o chef de cozinha. Acontece que seu irmão é alcoolatra e Pascaline, irmã mais velha, segura os problemas do restaurante enquanto cuida de sua sobrinha. Nesse Dia dos Namorados, ela recebe uma visita inesperada de um amor do passado que reservou a mesa com outro nome para que ela não desconfiasse de nada. O homem faz a Pascaline uma proposta que a coloca diante da oportunidade de viver a sua história. Na dúvida entre abandonar tudo e viver seu amor ou permanecer no restaurante construído com seu irmão, Pascaline fica transtornada.

O filme tem drama e comédia e as histórias poderiam ser reais, se menos caricatas. A história de Pascaline prende a gente até o fim e o que acontece em cada mesa mostram como uma refeição tem tantos aspectos para além do que se escolhe no cardápio.

____ abril 03, 2015 ____

Bagdad Café

Bagdad Café (Out of Resenheim) é um filme alemão de 1987, dirigido por Percy Adlon. A história começa com Jasmin e seu marido na estrada, viajando pelos EUA, quando os dois tem uma briga. Jasmin (Marianne Sägebrecht) vai embora e começa a andar sozinha até chegar, muito cansada e suada, ao posto-motel Bagdad Café. A recepcionista é também a proprietária do local, Brenda (CCH Pounder). Ela acabou de discutir com o marido e expulsá-lo. Temos duas mulheres muito diferentes entre si em termos de cultura, comportamento e localidade (Jasmin é alemã), mas em semelhante situação de tristeza e falta de perspectiva para o futuro.

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O marido de Brenda surge com uma cafeteira que encontrou/roubou de algum lugar,  o que a deixa irritada e faz com que ela queira se livrar do objeto, mesmo estando com a cafeteira quebrada e se irritando com os clientes que chegam pedindo café.  O artefato não tem maiores participações na história, mas reflete o jeito de Brenda lidar com o lugar do qual toma conta, rejeitando o que não é fruto de seu trabalho, sem saber aceitar ajuda.

Brenda trata Jasmin muito mal desde o início, sendo grosseira e estando a todo tempo estressada com afazeres da administração,  se vendo como alguém que precisa cuidar de tudo sozinha. Jasmin, por outro lado, parece muito estranha ao local, esperando que carreguem suas malas até o quarto. A relação das duas parece impossível, mas é disso que o filme trata: a construção de uma amizade.

Com certeza temos no centro da história duas personagens muito interessantes, o que torna o filme ótimo para assistir. Outro ponto positivo foi eu ter me identificado com Jasmin. É claro que as identificações sempre tem mais a ver com nuances do que com o esteriótipo em si. Jasmin no início do filme é vista sendo inferiozada pelo marido e mesmo depois, no Bagdad Café, ela é colocada num lugar de desvalorização. Eu observava Jasmin ao longo do filme e o desenvolvimento da personagem foi mexendo comigo.  Até pelo modo dela de modificar as coisas. Ao pegar em aspiradores e vassouras e encarar a limpeza do posto-motel, ela surpreende a todos. Além disso, estabelece relações e traz um pouco de magia, o que nunca deixa de ser uma forma romântica de transformar a realidade. Outro ponto é a relação de Jasmin com seu corpo e sua sexualidade, que vai sendo sutilmente mostrada no filme através de sua relação com Rudi Cox (Jack Palance).

O bacana é vermos uma mulher durona se permitindo ser cuidada. E outra, fragilizada, tomando as rédeas da própria vida. Bagdad Café é um filme sobre amizade e felicidade. E sobre ambas não estarem relacionadas a nada de difícil acesso ou fora de nosso universo.