Livros

____ janeiro 11, 2016 ____

Dolci di amor

DOLCI_DI_AMOR__1380918193BLily Turner é vice-presidente de uma empresa importante de Nova York, uma mulher bem sucedida que leva uma vida confortável ao lado de seu marido Daniel, com quem é casada há 16 anos. Lily sempre pensa antes de agir e conseguiu planejar tudo em sua vida: o trabalho, o casamento, a vida de uma alimentação controlada e atividades físicas. Mas um planejamento não estava sob seu controle: os filhos. Apesar das tentativas e investidas em diferentes tratamentos, Lily nunca conseguiu engravidar e nem mesmo sua tentativa de adoção deu certo. Ter filhos sempre foi uma de suas maiores vontades e sua vida ficou duramente marcada por essa impossibilidade. Por isso, Lily viu sua vida desmoronar quando encontrou, na palmilha dos sapatos de golfe de seu marido, uma foto de uma outra família. Ele tinha outra mulher e filhos. Ele tinha com outra pessoa tudo o que ela desejara ter com ele. O cenário da foto não é dos EUA, mas da Itália, na região da Toscana, onde Daniel passa uma semana por mês negociando com produtores de vinho.

Enquanto isso, na Itália, Violetta e Luciana são duas irmãs que possuem uma pasticceria em Montevedova*, onde fazem a tradicional receita de cantucci da família. As duas são membros da Liga Secreta das Cerzideiras Viúvas, um grupo de senhorinhas italianas que se dedica a remendar corações partidos, mas que não tem conseguido bons resultados nos últimos tempos. Os fracassos recentes da Liga se juntam a falta de energia das irmãs para produzirem cantucci como antigamente, o que nos mostra a dificuldade das duas em lidar com a velhice. É indo atrás de Daniel, sem saber exatamente o que fazer quando o encontrar, que Lily acaba chegando à pasticceria de Violetta e Luciana.

Dolci de amor, escrito por Sarah-Kate Lynch é uma leitura bem leve, eu li o livro todo em um único domingo. Não é uma história mirabolante, não foge dos clichês e muitas vezes me peguei imaginando que daria um bom filme, daqueles que a gente assiste pra se distrair. Devorei um capítulo atrás do outro, curiosa pelo desenrolar da história, muitas vezes levada com bom humor.

O livro contrasta a alimentação controlada de Lily e os produtos comprados prontos bastante difundidos nos EUA, com o orgulho dos italianos de Toscana de produzirem sua própria comida e comerem mais preocupados com o prazer do que com a saúde e a estética. Fala também da relação dos italianos da cidadezinha de Montevedova* com a tradição (a valorização da receita de família, morar na casa onde seu tatataravô morou), o que vai tanto para o bem quanto para o mal, no caso de se sustentar antigos desafetos e rancores. E é a relação com o passado o ponto central de tudo. A história embalada pela gastronomia italiana fala sobre como lidar com seu passado de forma a permitir a si mesmo um futuro melhor. Gostosinho de ler.

*Montevedova é uma cidadezinha medieval criada pela autora, baseada na cidadezinha medieval de Montepulciano.

____ agosto 22, 2015 ____

A fantástica fábrica de chocolates

Willy-Wonka-on-Cooking-ChannelUm dos filmes que marcou a minha infância foi A Fantástica Fábrica de Chocolates, a primeira adaptação do livro de Roald Dahl para os cinemas. Depois, em 2005, Tim Burton também dirigiu a sua versão para a história. O filme que traz Johnny Depp como Willy Wonka me divertiu ao assisti-lo no cinema, mas nunca teve para mim aquela mistura do macabro com a magia que é você ganhar um cupom dourado e visitar uma fábrica de chocolates misteriosa e bastante peculiar. Claro, o primeiro filme eu assisti na televisão durante a minha infância, várias e várias vezes, então ele marcou uma fase da minha vida.

“A Fantástica Fábrica de Chocolates” é originalmente um livro, de Roald Dahl. A história tem uma continuação, chamada “Charlie e o Grande Elevador de Vidro”. Uma curiosidade é que Roald Dahl também é autor da obra “As bruxas”, que foi adaptada para o filme traduzido aqui no Brasil como “Convenção das Bruxas”, que também marcou minha infância. E mais: ele também escreveu “Matilda”. Eu sou apaixonada por todos esses filmes e todos esses livros e recomendo a leitura para aqueles que só conhecem os filmes.

Charlie_and_the_chocolate_factory_poster2Resumindo a história, a fábrica de chocolates de Willy Wonka manteve suas portas fechadas por muitos anos, quando o dono se sentiu traído por ter suas receitas inovadoras passadas à outras marcas por pessoas que trabalhavam com ele. Após um tempo aparentemente sem funcionar, a fábrica voltou a fazer seus produtos, sem ninguém entender quem está por trás daquilo, uma vez que não são vistas pessoas entrando ou saindo do lugar.

Willy Wonka resolve distribuir dentro de suas embalagens cinco cupons dourados que levariam cinco sortudos ao interior da fantástica fábrica. Assim chegamos às crianças: Augustus Gloop, Veruca Salt, Violet Beauregarde, Mike Teavee e Charlie Bucket, o nosso personagem principal, o menino pobre, pertencente a uma família boa e humilde, diferente das outras crianças mimadas e mal educadas. O nome do livro é “Charlie and the Chocolate Factory”, assim como o filme de Tim Burton. Já o filme de 1971 se chama “Willy Wonka and the Chocolate Factory” (vocês podem ver isso pelos cartazes que ilustram essa postagem).

a-fantastica1Como sempre acontece, além dos filmes cortarem coisas do livro ao adaptarem a história para os cinemas, outras partes são inventadas, como a cena em que Charlie e seu avô experimentam, escondidos do grupo, uma bebida que os coloca em uma situação de risco, no filme de 1971, ou a infância de Willy Wonka, na versão de 2005. Os oompa loompas também ganham diferentes versões. Na minha opinião, o filme mais antigo mantém o ar macabro da fábrica, aquela sensação de que tem algo muito estranho por trás, e a lição dada às crianças, assim como a excentricidade de Willy Wonka. Todos esses aspectos me parecem caricatos na adaptação mais recente. O que eu senti no filme de Tim Burton é que toda a história foi levada a um nível de show, as perfomances musicais, a comédia e os efeitos.

CHARLIE_E_O_GRANDE_ELEVADOR_DE_VIDRO_1287767592BQuanto aos livros, a continuação, “Charlie e o Grande Elevador de Vidro” não é tão legal quanto o primeiro livro. A Fantástica fábrica traz toda a história da fábrica, dos oompa loompas, do Willy Wonka e as personalidades das crianças. A história é mais rica e amarrada e os personagens são mais interessantes, enquanto o segundo livro parece meio esvaziado nesse sentido. E embora pareça impossível, a história do segundo livro é muito mais viajada! Se antes, um barco em alta velocidade num rio de chocolate parecia surreal, dessa vez as coisas que acontecem não tem nexo sequer para a história. O barco mostrava o perigo que tinha aquela aventura que parecia maravilhosa, mas na história seguinte, um personagem do espaço que tenta atacar as pessoas (só pra dar um exemplo), não traz nada que possa ser aproveitado para algum objetivo final.

Bom, a forma como Roald Dahl escreve te prende durante a leitura e suas obras podem ser lidas rapidamente. Os livros que ilustram a postagem, da Martins Fontes, são os que eu tenho e que comprei na Estante Virtual.