Lugares

____ julho 10, 2017 ____

Cozinha itinerante e cozinha urbana

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Engraçado como parar pra escrever às vezes dá início a questionamentos que a gente não imaginava. Eu resolvi escrever sobre a experiência do cardápio coreano que experimentei numa parceria entre a Kim Korean Food e a Wursteria. E esbarrei numa questão que iniciou questionamentos que ficaram em aberto. Sempre que escrevo sobre um lugar eu gosto de ver como o próprio lugar se define. Primeiro ponto: Kim Korean Food não é um lugar, define-se como “cozinha itinerante” e se, nesta ocasião ao final de junho estiveram na Tijuca, sexta-feira passada o evento foi no Humaitá. Pensei um pouco no conceito de “cozinha itinerante” até esbarrar na definição usada pela Wursteria, “cozinha urbana”. Ficou um início de texto bastante torto na minha cabeça: a cozinha itinerante em parceria com a cozinha urbana.  E segui pensando nas definições escolhidas por eles mesmos (Kim Korean Food e Wursteria) para se definirem. A minha reflexão esbarrava em usar esses termos no meu texto sem compreendê-los exatamente.

Embora pareça autoexplicativo, o que é uma “cozinha urbana”? Estaria em oposição a uma cozinha rural ou do interior? Ou será que cozinha urbana tem a ver com o cardápio relacionado a comidas consideradas fast- food (no caso da Wursteria, eles tem linguiças da casa que servem no pão, como um hot dog)? Estaria também ligado a um modo de consumo, diferente do sentar-se a mesa e comer em família nos moldes caseiros e tradicionais, seria aquele comer no balcão, algo mais impessoal (lá eles tem o balcão, mas também mesas dentro do estabelecimento e no espaço externo)? Ou seria a arquitetura e decoração do lugar (no caso, era aquele cinza industrial)? Ou todos esses elementos, de forma que ao associá-los constrói-se essa imagem de “cozinha urbana”? Fiquei cheia de questões e também me perguntei se eu deveria conhecer o conceito ou se ele é mais liberdade de quem o utiliza. Mas afinal, a pergunta primária: o que é urbano? Parecia que eu estava me baseando em palavras como “fast“, “impessoal”, “cinza”. Achei curioso.

Lembrei da pós quando surgiu uma discussão durante a disciplina de gastronomia popular sobre o que categoriza algo como “comida popular”. Seria o preço? O local onde o estabelecimento está? O quão acessível é? Se é comida caseira (em oposição a uma comida refinada)? Se é uma comida tradicional (em oposição ao novo)? A resposta, ou melhor, o consenso foi de que era um conceito largo e subjetivo. Nenhuma questão levantada sobre o termo estava errada, mas encaixar-se ou não em ideias que fazemos sobre o popular também não é o que põe um ponto final sobre uma comida ser ou não popular. A questão é complexa, mas fiquei com esse pensamento sobre os conceitos acionados pelas próprias pessoas responsáveis pelas cozinhas para definir os seus espaços.

Dividi essas perguntas com as pessoas aqui em casa e também com amigos (whatsapp taí pra isso) e as respostas não seguem um padrão. A gente esbarra novamente na questão do largo e subjetivo. E por isso mesmo, o acordo a que chegamos é que é preciso ouvir das pessoas que acionaram o conceito os seus motivos. Não para achar respostas, mas para expandir olhares sobre o pensar a comida.

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Falando, enfim, sobre o cardápio montado pela Kim Korean Food (a cozinha itinerante) em parceria com a Wursteria (a cozinha urbana), tínhamos duas opções de entradas, dois pratos principais e uma sobremesa. Comecei pelo banchan (pepino temperado, berinjela, acelga picante fermentada e arroz). Já comi banchan como entrada e também como acompanhamento do prato principal. Os legumes ficam picantes e saborosos.

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Experimentei os dois pratos principais. O bibimbap consistia em um arroz com cenoura, espinafre, brotos, cogumelos, pimentão vermelho, ovo e carne. O japchae também tinha cenoura, espinafre, pimentão vermelho, cogumelo e carne. Era um macarrão de batata doce.

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Como sobremesa, comi o maejakgwa, biscoitos de gengibre com calda de canela. A sobremesa caiu perfeita com a comida, a calda combina com o biscoito e o doce não é enjoativo.

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A Wursteria fica na Rua Uruguai, 397 – Tijuca, Rio de Janeiro. IMPORTANTE: Esse cardápio foi especial para o evento do dia 25 de junho, o cardápio do estabelecimento não oferece os pratos comentados neste texto.

Os eventos com a KIM Korean Food podem ser acompanhados em sua página no facebook.

Aqui eu falei sobre um restaurante de comida coreano no Bom Retiro, em São Paulo.

____ junho 28, 2017 ____

Takoyaki outra vez

Eu acho viajar uma delícia e até ia dizer que não conheço uma pessoa que não goste, mas tenho exemplos dentro de casa de pessoas que gostam mesmo é de ficar no aconchego e na familiaridade do próprio lar e da rotina. E tudo bem. Eu nunca viajei para fora do país (por limitações financeiras) e a verdade é que conheço pouco do Brasil, mas o Brasil é um país muito grande e conhecê-lo bem é privilégio de poucos. Já estive em ótimas cachoeiras pelo sul de Minas, guardo um amorzinho por São Paulo e quando viajei pela primeira vez sozinha, fui para Curitiba, Paraná. Viajar sozinha foi pra mim uma experiência muito boa. Ficando hospedada em hostel, conheci pessoas, saímos juntos, bebemos, comemos. Mas também aproveitei as horas sozinha no Jardim Botânico, não queria ir embora daquele lugar maravilhoso e sabia que o fato de estar ali só eu-comigo-mesma tornava aquele momento mais especial.

Recentemente, fui sozinha pra São Paulo. Novamente hospedada em hostel, percebi que não queria muito papo com ninguém e a bagunça das outras meninas no quarto dividido me incomodou (o banheiro compartilhado ficava nojento ao longo do dia, mesmo com uma funcionária do local deixando ele limpinho todas as manhãs). Não sei se a nossa abertura pra essas coisas é menor quanto mais velhos ficamos ou se eu fiquei mal acostumada por ter me hospedado em um quarto só pra mim na última viagem (pra São Lourenço), dormindo numa cama de casal. Fato é que eu não era a mesma Gabriela de Curitiba. Além da indisposição pra socializar com estranhos, eu percebi que quis viver o familiar. Visitei os lugares de São Paulo que eu já gosto, no bairro da Liberdade: a papelaria Fancy Goods, a pastelaria Yoka e o mercadinho que vende takoyaki. Cá entre nós, até o hostel que eu fiquei, eu já conhecia, pois me hospedei lá há quase três anos.

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Aqui no Rio eu geralmente aguardo pra comer takoyaki nos eventos da Associação Nikkei. Em São Paulo, ficam os bolinhos de polvo mais gostosos da vida – talvez porque eles fiquem melhores com a fome que eu sinto após bater perna pelo bairro. O mercadinho não tem lugar para sentar e da outra vez eu comi em pé tranquilamente. Dessa vez, o clima chuvoso me fez pedir para viagem e levar pra comer no hostel. Sentei na mesinha com arranjo de flores, com vista para a rua, onde dava pra ver a chuva. A comida quentinha contrastando com o tempo frio e eu ali sentada sozinha, feliz com a minha sacolinha de compras de papelaria. Acabei pensando como viajar sozinha me faz perceber que, no fim das contas, eu gosto da minha própria companhia e que eu cuido bem de mim. Feliz da vida, doninha do próprio nariz.

Rua Galvão Bueno, 270 – Liberdade, São Paulo.

Já falei aqui no blog sobre alguns lugares para comer em São Paulo: o restaurante Seok Joung, no Bom Retiro e o Porque Sim, na Liberdade.

____ novembro 29, 2016 ____

Noo Cachaçaria

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A Noo Cachaçaria se tornou um dos meus lugares favoritos para comer e BEBER! Já começo com esse beber em caixa alta na primeira frase que é pra vocês absorverem o quanto eu gosto das batidas de lá e até arrisco aqui um top 3: cupuaçu com rapadura; melaço com gengibre; maracujá, mel e pimenta.

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Conheci o lugar através de uma amiga que costuma ir lá com a irmã e desde então eu voltei algumas vezes, levando inclusive a minha irmã. Ela é super chata pra comer camarão e mesmo assim achou uma delícia a panelinha de camarão ao molho de requeijão e alho poró. Além de gostoso, é um prato que satisfaz duas pessoas.

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Eu recomendaria também o Bolinho Cucuruqui, que são bolinhos de tapioca com linguiça defumada e queijo, servido com pimenta da casa. É o meu petisco favorito, mas certamente tem outros que valem a pena, como os pateiszinhos de vento que vem com ótimos molhos de acompanhamento e o aipim frito.

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Às quintas-feiras eles tem algo que eu simplesmente amo: ostras! Elas vem fresquinhas de Santa Catarina e por isso mesmo só são servidas às quintas. Você pode pedi-las temperadas com cachaça.

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O ambiente é bastante aconchegante. As fotos que eu tento tirar dos pratos não ficam muito boas porque a iluminação do local é mais escurecida e amarelada e como eu já não sou uma boa fotógrafa (na verdade, eu apenas NÃO SOU fotógrafa) acabo não conseguindo imagens bacanas. Lá tocam musiquinhas gostosas de ouvir, que dialogam com a atmosfera do lugar. Minha irmã diz que parece um ambiente meio de humanas e eu gostei da descrição (talvez porque tenha achado engraçada).

Ah, o atendimento é ótimo.

Noo Cachaçaria: Rua Barão de Iguatemi, 358 – Praça da Bandeira, Rio de Janeiro.