____ novembro 11, 2015 ____

Dieta: Restrição, compulsão e culpa

Você resolve fazer uma dieta e logo promete a si mesma: “não vou mais comer chocolate” ou “não vou tomar refrigerante” ou ainda “não vou comer fritura“. Não importa a restrição, a questão é que existe algum alimento ou categoria de alimento que você coloca na lista dos proibidos. Aí temos duas coisas: a primeira é que você se proíbe de comer algo que gosta e a segunda é que você está querendo mudar, mas está se pautando no “não”. A mudança pra ser boa pra gente tem que ser com base em se permitir e não em se limitar.

Proibição gera tentação. Aquela vontade de comer o que você instituiu que não pode. Essa vontade toda vira uma coisinha chamada compulsão. Às vezes você vai lá e come um pedacinho. Pronto, já saiu da dieta. Se eu já saí da dieta, então vou comer dois. Se comi dois, como três. Se como três, como um montão e deixo pra voltar com essa coisa de dieta na segunda-feira. Depois comendo um, dois ou três, sinto culpa. “Jaquei”, é assim que andam dizendo, se referindo a “enfiar o pé na jaca”. (Lembrando que nesse ponto muita gente vomita ou toma laxante e isso é transtorno alimentar!)

A culpa te leva logo à punição. “Amanhã só vou comer uma alface” ou “vou malhar muito mais pra compensar isso“. E você vai se relacionando com a alimentação e com a atividade física dessa forma negativa, punitiva.

A gente quer um profissional que nos diga o que comer, o quanto comer, que horas comer. Lidar com a total liberdade para definir a alimentação dá frio na barriga, a gente não se acha capaz. Olha isso: a gente não se acha capaz de definir a própria alimentação! Sabe por que? Porque nós não conhecemos a nós mesmos. Olhar pra essa questão, pensar no que seu corpo pede, que horas ele pede, no que te deixa bem e disposta, arriscar, experimentar, errar e acertar é que pode gerar uma relação com a comida que se baseie em bem estar e não em números na balança ou elogios de outros ao seu corpo por ele estar se aproximando de algum padrão determinado por alguém que, opa, não é você. Não vive dentro do seu corpinho. Não sabe das suas necessidades.

Quando estiver mudando sua alimentação, pense como está fazendo isso. Dietas que se baseiam na restrição são o caminho para a compulsão e a culpa. Pense no por que de um “projeto verão”. Ficar dentro do padrão pra usar biquíni? Qualquer um pode usar biquíni e seria mais bacana pra todo mundo se o “projeto verão” fosse planejamentos de ir a praia por você e não pelos outros, beber água de coco gelada, estar com pessoas queridas. E por que só no verão? Por que não na vida toda? Pense nos termos que usa pra se referir à comida. “Gordices”, “jacar”? Estou falando nessas palavras que estão sendo usadas ultimamente porque refletem valores da nossa sociedade que podem ser revistos e quando você se utiliza desses termos está reafirmando esses valores, mesmo sem perceber. Vamos pensar nisso tudo com carinho? Carinho e respeito por nós mesmos e pelos outros.

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*Inspirações: O Corpo é Meu (até o Buddha Doodles eu conheci por lá) e Fale com a Nutricionista.

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