____ novembro 05, 2016 ____

O dia em que comi insetos

insetos

Engraçado como algumas coisas se desenrolam. Quando saiu a programação do Festival do Rio, eu fui em busca de filmes que trouxessem o debate sobre alimentação e encontrei dois: “10 milhões – O que tem para comer?” e “Insetos – Uma aventura gastronômica”. Acontece que eu perdi os dois filmes simplesmente por não ter me ligado que o festival ia somente até o dia 16 de outubro, enquanto eu me programava para ver os filmes ao final do mês. Fiquei chateada, porque eram dois temas pelos quais eu vinha me interessando.

Sem relação alguma com o Festival do Rio, eu andei me reunindo com mais duas (maravilhosas) professoras, uma engenheira e a outra nutricionista, pois nós estávamos readaptando a nossa oficina sobre História da Alimentação para um público infantil (inicialmente era voltada para público adolescente e adulto). Até que no sábado do dia 22 de outubro, nós apresentamos mais uma vez o nosso trabalho, dessa vez no Espaço Ciência Viva, na Tijuca.

O tema do evento era “Insetos, solo e grãos: a ciência alimentando o Brasil” e, entre diversas atividades e stands, tinha uma apresentação guiada pelo Prof. Pedro Lagerblad (UFRJ) e pela Roseane Panini (convidada da UFSC) sobre entomofagia (insetos como fonte alimentícia de seres humanos). A prática comum em outros países e em algumas regiões do Brasil, é vista com estranheza pela maioria de nós.

Os argumentos apresentados eram simples. O primeiro deles é que a gente já come insetos. Geralmente os alimentos que tem sabor morango (iogurtes, biscoitos, geleias, balas) ou que tem a coloração avermelhada/rosa são feitos com um corante chamado cochonilha, que nada mais é do que um inseto. Também acabamos consumindo insetos no sal, café, arroz etc. Isso acontece por causa dos fragmentos de insetos que existem nesses alimentos quando eles já estão ensacados para o nosso consumo. Existe inclusive uma determinação da Anvisa de limites de fragmentos de insetos nesses alimentos.

Outro ponto é o fato de que os insetos são fontes consideráveis de proteína, tendo mais proteínas que a carne animal. O consumo de insetos viria inclusive como forma alternativa ao consumo da carne, pensando em um produto alimentício que não danifique tanto o meio ambiente quanto a produção de carne bovina para consumo humano.

Também não posso deixar de falar da questão do tabu alimentar. O que a gente tem nojo ou não também é construção social e tem relação com a nossa cultura, daí experimentar o inseto se apresenta como um experiência de desconstrução, mesmo que momentânea. Eu nunca imaginei que uma dia fosse experimentar, por não ter vontade e nem coragem, mas de repente lá estava eu comendo larvas de besouro e grilos. Sinceramente, eu não faria uma refeição com insetos, comendo realmente em grandes quantidades, assim como não me ocorre incluir insetos na minha alimentação. Bom, em termos de sabor, eles estavam bem temperados, com cebola, tomate, azeite, cogumelos etc. Sendo assim, o sabor que eu senti foi mais do tempero que do inseto. Embora tenha sido dito que as larvas tem sabor de noz, o sabor que eu senti estava bem distante.

Foi interessante surgir a oportunidade de experimentar os insetos justamente quando eu estava lamentando ter perdido um documentário sobre o tema. Continuo curiosa em relação ao documentário. Em sua sinopse é mencionado o fato da ONU apontar o consumo de insetos como forma de combate à fome e a entomofagia também tem sido abraçada por ambientalistas e cientistas da saúde pública.

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