____ outubro 17, 2015 ____

Hambúrguer e pão de queijo

Recentemente estive numa feira de moda, gastronomia e arte, a Armazém 4, no Tijuca Tênis Clube, que fica – lógico! – na Tijuca, aqui no Rio de Janeiro. Gosto da proposta de feiras assim por aqui, o ambiente era agradável e no dia estava caindo uma chuvinha fraca que deixou tudo mais aconchegante (eu gosto de chuva). Perambulei um pouquinho pela área de gastronomia e tive algumas boas surpresas.

Pela parte de moda passei praticamente direto (dei uma andada rápida pela área) porque não avistei nenhum item com o preço e não gosto de ser forçada a perguntar o valor para o vendedor e estabelecer uma comunicação que pra mim é desconfortável. Já na parte de gastronomia, a maioria tinha os preços dos produtos em cartazes ou quadrinhos de giz e eu me senti a vontade para comprar o que eu quisesse. Outra questão é que as pessoas estavam interessadas em falar sobre o seu produto, porque eles mesmos que estavam vendendo, faziam as comidas e conheciam suas matérias-primas. Acreditavam no que estavam fazendo. Visitei a barraca de uma nutricionista com cardápios de comida para o dia a dia, a bicicleta decoradinha de amigos que estavam vendendo palhas italianas e uma dupla que vendia biscoitos cookies desde o tradicional até opções sem glúten e sem lactose. Alguns ofereciam pequenas amostras para a gente experimentar.

Nessa de conhecer, acabei comendo um hambúrguer Macho Gourmet. Vejam bem, juntar hambúrguer com pão de queijo deve soar delicioso para a maioria das pessoas, mas eu não sou a maior fã de pão de queijo. Já tinham me dito que eu precisava experimentar e eu fui movida pela curiosidade. Ainda bem que eu experimentei.

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O hambúrguer era de alcatra, servido em pão de queijo, com geleia de pimenta e cream cheese. O tamanho é maior do que um pão de queijo comum, mas não chega ao tamanho de um pão de hamburguer. É algo intermediário e se eu não tivesse comido outras coisas, comeria dois. Custou 20 reais e estava uma delícia! E mamãe, que estava comigo, também aprovou. Lá no instagram eu publiquei algumas outras fotos do evento.

____ outubro 07, 2015 ____

Sabores do Japão

A Associação Nikkei do Rio de Janeiro fica em Cosme Velho e é um casarão, visto de fora. Encarregada de promover a cultura japonesa, ao longo do ano a Associação organiza alguns eventos que se dividem em dois espaços: um para apresentações de taiko e artes marciais e um outro espaço com a gastronomia japonesa, onde várias barraquinhas se encarregam da culinária. Nunca cobraram pela entrada, você só precisa pagar pelo que consome e pelas mesas, caso queira sentar. Eu diria que é um evento bem familiar, fácil notar isso nas pessoas e na organização.

A festa de Tanabata Matsuri é uma gracinha com as árvores para pendurarmos nossos pedidos e a lenda por trás da data, que diz que Orihime e Hikoboshi se encontram apenas uma vez por ano. Infelizmente, esse ano não pude ir ao Tanabata nem ao Festival do Japão, que também ocorre todo ano no Flamengo. Mas achei perfeito um evento chamado “Sabores do Japão” porque uma das melhores coisas das festas do Clube Nikkei é a comida!

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Eu amo sushi e sashimi, mas não aprecio nenhum “hot” nas comidas japonesas pois o sabor da gordura me deixa enjoada (isso em qualquer comida) e também prefiro sem cream cheese, o que significa que eu fico geralmente no peixe cru com gohan (o arroz branco japonês) mesmo. Dentro desses meus gostos eu comi o temaki de salmão, bem gostoso. Mas me aventurando fora dos meus gostos, eu comi okonomiyaki, que é uma espécie de massa de panqueca com vegetais, frutos do mar e maionese. Eles estavam colocando bacon também, mas eu pedi o meu sem por motivos de: odeio bacon. O okonomiyaki é bem saboroso e o molho tonkatsu dá toda a graça ao prato. Além do temaki e do okonomiyaki, eu comi o yakisoba. A porção era bem generosa, mas o gosto dos vegetais tomavam conta do prato, não consegui sentir o sabor da massa ou da carne. Também provei o karê. Eu diria que é uma sopa de consistência grossa com vegetais em grandes pedaços e tempero a base de curry (karê, em japonês), servida com gohan. Uma delícia. Bom, também achei que eles perderam ao não fazerem o takoyaki, que costuma fazer sucesso.

Geralmente as filas pra comida estão enormes e é difícil caminhar pelo evento. Filas e muita gente transitando por um evento são razões para eu não ir, mas os do Clube Nikkei ocorrem esporadicamente e como o clima é tranquilo, acho super ok. Senti esse evento mais vazio, mas quem não foi perdeu uma ótima oportunidade de experimentar a comida japonesa a um preço bacana e num ambiente propício pra entrar em contato com a cultura.

____ setembro 04, 2015 ____

Oficina “Em pratos limpos: uma discussão sobre História da Alimentação”

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A História está presente em nosso prato, ainda que não nos demos conta. O que escolhemos comer e os rituais que utilizamos durante a refeição nos dizem muito sobre quem somos e já fomos. O intercâmbio de sabores, a receita da avó e mesmo a refeição impessoal da comida pronta no micro-ondas, tudo isso nos dá elementos que permitem estudar a História. Mas com tantas variedades de ultraprocessados, sabemos mesmo o que comemos? Conhecer o seu alimento é conhecer sua identidade, cultura e essência.

Com um caráter interdisciplinar, a alimentação pode ser discutida sob diversos olhares: como norma e ritual, pela abordagem histórica da fome, pela História da Gastronomia, pela sua representação através de livros de culinária, pelo estudo dos restaurantes e pelas relações de poder – pra citar algumas possibilidades! Isso significa que não apenas a refeição em si, mas também cadernos de receitas, manuais de etiqueta, histórias orais e a representação dos alimentos em pinturas e livros são objetos de estudo para a História.

O lançamento do Guia Alimentar para a População Brasileira deste ano discute os ultraprocessados e para quem esses alimentos seriam convenientes. Sofrendo pressão da indústria alimentícia por estimular o consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, o Guia trouxe a reflexão da diferença entre “alimento” e “produto comestível”. Eu estive no evento de lançamento do Guia e falei sobre isso aqui.

Eis que uma engenheira química, uma nutricionista e uma historiadora que tinham em comum o IFRJ resolveram se juntar na elaboração de uma oficina pra discutir com mais pessoas (de diferentes áreas e com diferentes experiências) a alimentação.

Estamos oferecendo a oficina em duas datas: 20 e 22 de outubro, de 13-17 horas, no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro, localizado na Rua Senador Furtado. A oficina será realizada na sala 407.

Ementa:

  • Debate sobre a alimentação como objeto de estudo da História;
  • Quando a alimentação é mais do que a ingestão de nutrientes;
  • Papéis de gênero na cozinha: as donas de casa e os chefs;
  • Intercâmbios alimentares e a comida brasileira;
  • Alimentação e Religião
  • Relações de poder e manuais de etiqueta
  • Produção em larga escala vs fome;
  • O Guia Alimentar para a população brasileira: Alimento vs. Produto Comestível.

Quem somos?

Eu me formei Técnica em Alimentos no IFRJ e voltei lá ano passado como estagiária em História pela UFRJ. Foi através da conversa com uma aluna do curso que reencontrei a professora Lourdes, minha professora (e também quem me dava carona pra casa quando as aulas acabavam 22:30h!). Ela estava interessada e envolvida com o projeto de unir história com a área de alimentos e trazer os alunos pra mais pertinho do curso, ampliando a sua visão sobre o tema. A Lourdes é doutora em Tecnologia de Processos Químicos e Bioquímicos (UFRJ), atuando na área de tecnologia, biotecnologia e inovação da cadeia produtiva de alimentos. Foi através dela que eu conheci a Denise, nutricionista com doutorado em Ciências (UFRJ).