gastronomia

____ dezembro 03, 2015 ____

Chef

Quando o filme Chef (Chef, 2014) estava em cartaz nos cinemas, eu imaginei que fosse um filme com uma proposta mais alternativa. Até acho que estava certa, porque era uma direção de Jon Favreau de menor orçamento, tendo em vista que ele dirigiu o sucesso dos filmes do Homem de Ferro com o Robert Downey Jr. Mas agora que finalmente assisti ao filme, diria que ele é bem sessão da tarde. Não tem nada de diferente ou irreverente, é uma história bem simples e previsível, mas que distrai e diverte.

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Carl Casper trabalha num restaurante reconhecido, mas com uma visita marcada por um blogueiro gastronômico bastante influente, decide inovar no cardápio. Impedido pelo dono do restaurante de colocar em prática seu lado artístico e sua criatividade na cozinha, o chef acaba detonado pelo crítico gastronômico. O que acontece a partir disso é o declínio de sua imagem ao ser duramente criticado e ainda se tornar um viral na internet. O chef desempregado decide dar ouvidos à sua ex-esposa e cair na estrada, com um foodtruck de comida cubana. Junto à sua história profissional, existe um drama familiar, com o mal resolvido fim de seu casamento e uma relação distante com o filho.

O filme tem três aspectos interessantes aqui para o blog: a relação do blogueiro que escreve sobre gastronomia com os chefs, os pratos típicos mostrados no filme quando o personagem embarca na culinária de influência latino-americana nos EUA e a visão hierarquizada de um chef que trabalha em um restaurante e considera desvalorização vender comida em um trailer.  Não gostei do desfecho com o blogueiro e achei a relação com a ex-esposa pouco explorada, mas a parte profissional do personagem principal, sobretudo quando está na estrada, é bastante interessante de assistir. A gente termina o filme com vontade de comer e cozinhar.

____ outubro 17, 2015 ____

Hambúrguer e pão de queijo

Recentemente estive numa feira de moda, gastronomia e arte, a Armazém 4, no Tijuca Tênis Clube, que fica – lógico! – na Tijuca, aqui no Rio de Janeiro. Gosto da proposta de feiras assim por aqui, o ambiente era agradável e no dia estava caindo uma chuvinha fraca que deixou tudo mais aconchegante (eu gosto de chuva). Perambulei um pouquinho pela área de gastronomia e tive algumas boas surpresas.

Pela parte de moda passei praticamente direto (dei uma andada rápida pela área) porque não avistei nenhum item com o preço e não gosto de ser forçada a perguntar o valor para o vendedor e estabelecer uma comunicação que pra mim é desconfortável. Já na parte de gastronomia, a maioria tinha os preços dos produtos em cartazes ou quadrinhos de giz e eu me senti a vontade para comprar o que eu quisesse. Outra questão é que as pessoas estavam interessadas em falar sobre o seu produto, porque eles mesmos que estavam vendendo, faziam as comidas e conheciam suas matérias-primas. Acreditavam no que estavam fazendo. Visitei a barraca de uma nutricionista com cardápios de comida para o dia a dia, a bicicleta decoradinha de amigos que estavam vendendo palhas italianas e uma dupla que vendia biscoitos cookies desde o tradicional até opções sem glúten e sem lactose. Alguns ofereciam pequenas amostras para a gente experimentar.

Nessa de conhecer, acabei comendo um hambúrguer Macho Gourmet. Vejam bem, juntar hambúrguer com pão de queijo deve soar delicioso para a maioria das pessoas, mas eu não sou a maior fã de pão de queijo. Já tinham me dito que eu precisava experimentar e eu fui movida pela curiosidade. Ainda bem que eu experimentei.

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O hambúrguer era de alcatra, servido em pão de queijo, com geleia de pimenta e cream cheese. O tamanho é maior do que um pão de queijo comum, mas não chega ao tamanho de um pão de hamburguer. É algo intermediário e se eu não tivesse comido outras coisas, comeria dois. Custou 20 reais e estava uma delícia! E mamãe, que estava comigo, também aprovou. Lá no instagram eu publiquei algumas outras fotos do evento.

____ agosto 05, 2014 ____

Alimentário

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Alimentário – Arte e Patrimônio Alimentar Brasileiro” é uma exposição pensada por Felipe Ribenboim que mostra como a alimentação contribuiu para a construção de uma noção de cultura brasileira. Logo no início, ela já se anuncia sem pretensões didáticas, mas com uma intenção de instigar a nossa reflexão. Reunindo uma diversidade de obras – fotografias de pratos de chefs famosos, relatos, vídeos, pinturas – a exposição é rica de informações e bastante interessante.

Pra quem não está acostumado a ver a alimentação como fonte para estudo de História ou mesmo para quem simplesmente não reflete a enorme carga cultural que existe em um hábito que praticamos displicentemente todos os dias, recomendo conferir o que o Museu de Arte Moderna está oferecendo, até o dia 10 agosto (7 dilmas a meia entrada!).

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A cana de açúcar, o café, a pouco estudada culinária do Norte (eu penso que a gente julga que o sudeste – sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo são o Brasil e esquece/ignora as diversidades), as obras literárias sobre o tema, os pratos artísticos de chefs de cozinha, a influência da nossa História no nome dos produtos no mercado e a junção de culturas – dos colonos, dos africanos, dos índios, dos imigrantes italianos e franceses e japoneses… Tudo isso aparece retratado de alguma forma em “Alimentário”. É necessário olhar tudo com calma e absorver o que uma pintura de Portinari ou um quadro de Lasar Segall tem a nos dizer. Lasar Segall, por exemplo, passou a explorar cores muito mais vivas em comparação às que usava até então, ao observar e pintar as vegetações brasileiras.

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A cozinha é o local de reunião da família e por isso, pessoal. Mas é também onde o mundo inteiro se encontra, nos alimentos que consumimos. Nossos hábitos, quando paramos para refletí-los, tem muito a nos ensinar.