____ maio 19, 2016 ____

Toast: A História de uma Criança com Fome

O filme Toast: A História uma Criança com Fome (Toast, 2010), é baseado na biografia do chef inglês Nigel Slater e se passa durante os anos 1960, focando em sua infância e adolescência. O filme mostra como a mãe de Nigel apenas consumia produtos enlatados, reflexo de sua inabilidade na cozinha e da dificuldade de seus pais em lidar com aquilo que é natural, o oposto ao artificial. Isso é mostrado na cena em que o pai comenta o quão nojento/sujo ele acha uma criança nua brincando na praia. Como o próprio Nigel ao narrar o filme diz, tudo o que nos é proibido desperta o nosso interesse, assim, a criança se delicia com fotos de alimentos frescos nos livros, brinca de estar vendendo comida em um armazém e pede à mãe para ajudá-lo a cozinhar, tendo na relação proibitiva com a comida um aspecto marcante de sua vida. A figura que o retira desse universo enlatado é o jardineiro Josh, que ao contrário de seus pais, acredita que a maioria das coisas sujas não faz mal. Claro, Josh lida com a terra, com compostagens e alimentos frescos.

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A Sra. Slater só sabe fazer torradas e essa comida simples é adorada por Nigel que diz ser “impossível não amar quem lhe faz torradas”. Pra mim, isso mostra o apego de Nigel à sua mãe e a associação do afeto à comida, que dá um status de importância a algo simples do dia a dia. Enquanto tem uma relação carinhosa com a mãe, Nigel pensa que seu pai não gosta dele, pois o Sr. Slater é grosseiro e parece sentir um desprezo pelo menino. Ao perder a mãe, Nigel então se vê tendo que aprender a conviver com o pai pouco afetuoso e logo mais com a presença da Sra. Potter, uma faxineira que logo se mostrará uma excelente cozinheira e disputará através da gastronomia a atenção do Sr. Slater com Nigel.

O filme conta uma história real (ou baseada em fatos reais) de uma forma fantasiosa que aparece em cenas de comédia, coloridos e pratos exuberantes. O consumo dos enlatados e dos eletrodomésticos aparece inserido na cultura dos anos 1950/60 de uma forma cômica — só pra gente se situar, podemos lembrar das obras de Andy Warhol retratando a publicidade no período. Toast tem na gastronomia o fio condutor e a metáfora de uma história sobre uma pessoa que busca o afeto e a vida. O jardineiro Josh, da infância de Nigel, diz que “a decomposição faz com que tudo de bom venha à tona”. É sobre isso que fala Toast.

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