Eventos

____ janeiro 31, 2015 ____

Seminário Soberania Alimentar

Em novembro do ano passado, eu participei como ouvinte do Seminário Soberania Alimentar – Diálogos entre o campo e a cidade, e já há tempos queria trazer isso aqui pro blog, porque quando eu escolho falar sobre alimentação, eu faço uma escolha política. E a importância desse seminário e dos movimentos ligados à ele é imensa.

Quando pensamos em soberania pensamos em uma alimentação que seja realmente democrática, pois sabemos que a escolha do que comer é limitada por aquilo que é mais acessível e mais barato. Optar por uma alimentação saudável, da qual se conheça melhor a procedência é difícil atualmente e não é à toa. A soberania alimentar vem representando essa noção de que a nossa escolha precisa ter uma via mais prática do que vem tendo. E essa via não está nas mãos do agronegócio e/ou das empresas multinacionais.

O seminário que eu assisti defende o papel do campesinato nessa tarefa. O camponês que gosta e quer continuar a morar no campo e sabe que pode produzir alimentos sem adubos químicos, sem transgênicos, sem venenos, com uma procedência mais natural e mais justa, não apenas pelo alimento em si, mas mais justa socialmente.

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É muito comum reclamarmos da dificuldade em se ter acesso à alimentação natural, pelos preços e mesmo pela falta de informação. Enquanto isso, alguns alimentos praticamente caem no nosso colo, porque dispõe de muita publicidade e recebem muitos investimentos. Que alimentos são esses? Quem os produz? A informação que queremos não é a que nos chega com facilidade. Ela precisa ser buscada. E essa busca nos leva a um ponto interessante: dar mais voz aos movimentos sociais.

Precisamos romper a ideia enraizada de que a tecnologia e o uso de agrotóxicos é o melhor para a produção de alimentos. Isso nos afasta da origem do alimento, além de ser uma ideia reproduzida por aqueles que vendem essa tecnologia, as máquinas pesadas e os adubos. Para além disso, é necessário falar em reforma agrária. A história do Brasil se fez através da concentração de terras nas mãos de poucos e os poucos que dominam essas terras não tem o interesse de produzir para o bem do povo. Essas são verdades escondidas, as quais só enxergamos quando levantamos o tapete da hipocrisia.

Levantar o tapete da hipocrisia implica não jogar a responsabilidade para o outro, mas se enxergar como agente, seja por reafirmar esse sistema de produção injusto, seja por buscar a mudança. Você quer mudar. Mas está disposto?

Espero encontrá-lo num próximo seminário,

____ novembro 29, 2014 ____

A Feira Planetária

Recentemente fui a um evento de food truck na Gávea, chamado de Feira Planetária. Esse termo food truck se refere à venda de alimentos sobre quatro rodas, com as cozinhas adaptadas para o espaço dos automóveis, como kombis e trailers. É mais comum nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil esse tipo de comércio tem ganhado a atenção da grande mídia. Não que seja novidade, a gente tá acostumado a ver esse tipo de venda. Aqui pela Zona Norte e Centro do Rio de Janeiro eu vejo hambúrguer, cachorro quente, pipoca e tapioca sendo vendidos dessa forma.

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Havia um diferencial. O estilo dos “estabelecimentos”. Para cada veículo você tinha todo um conceito pensado para representar o estilo da comida que ali era vendida e dos próprios vendedores. Por exemplo, o de comida japonesa vinha todo enfeitado com desenhos japoneses (animes). Ali estavam as pessoas que vendiam, mas também criavam os sabores das suas comidas, trazendo bastante diversidade.

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Eu li sobre o casal na Revista O Globo (09/11/2014) e pude encontrar por lá os namorados Marianna e Diogo que criaram a sua barraquinha de tapioca e, com a ajuda da cozinheira baiana Maura Trindade e da chef pernambucana Cláudia Vieira, elaboraram cerca de 30 sabores. A matéria publicada na revista comenta a variedade de lugares onde eles compram seus ingredientes e nos revela que, por exemplo, a manteiga utilizada é feita pelo pai de Marianna.

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Eu fui lá buscando por opções vegetarianas e notei o que não é novidade pra ninguém: mesmo hoje em dia com o vegetarianismo tendo um maior espaço e ganhando cada vez mais adeptos, ainda é muito complicado sair com os amigos para comer e encontrar opções. Fiquei pensando – porque realmente não sei – se temos aqui pelo Brasil food truck vegetariano. Será?

Bom, fui em busca das opções. Bebida não é problema pra mim, eu adoro cerveja e caipirinha e pude apreciar das duas coisas. A caipifruta de morango estava maravilhosa e foi bacana ver o cuidado no preparo e o amor pelo trabalho. Sobre a comida, encontrei um risoto de palmito ao pesto realmente gostoso. E ainda comi umas trufas com ganache pra me despedir do evento.

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O evento tinha espaço gramado para galera sentar, umas mesas e banquinhos em estilo rústico. Achei bacana, mas também tenho minha reclamação: as coisas eram caras. A chamada pro evento me pareceu mais popular, mas chegando lá, shame on me, o público alvo estava definido.

Essas fotos ilustrando essa publicação foram tirados pelo meu amigo Murilo Jesus e vocês podem ver mais um monte de fotos lindas que ele tira no instagram dele.

____ agosto 05, 2014 ____

Alimentário

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Alimentário – Arte e Patrimônio Alimentar Brasileiro” é uma exposição pensada por Felipe Ribenboim que mostra como a alimentação contribuiu para a construção de uma noção de cultura brasileira. Logo no início, ela já se anuncia sem pretensões didáticas, mas com uma intenção de instigar a nossa reflexão. Reunindo uma diversidade de obras – fotografias de pratos de chefs famosos, relatos, vídeos, pinturas – a exposição é rica de informações e bastante interessante.

Pra quem não está acostumado a ver a alimentação como fonte para estudo de História ou mesmo para quem simplesmente não reflete a enorme carga cultural que existe em um hábito que praticamos displicentemente todos os dias, recomendo conferir o que o Museu de Arte Moderna está oferecendo, até o dia 10 agosto (7 dilmas a meia entrada!).

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A cana de açúcar, o café, a pouco estudada culinária do Norte (eu penso que a gente julga que o sudeste – sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo são o Brasil e esquece/ignora as diversidades), as obras literárias sobre o tema, os pratos artísticos de chefs de cozinha, a influência da nossa História no nome dos produtos no mercado e a junção de culturas – dos colonos, dos africanos, dos índios, dos imigrantes italianos e franceses e japoneses… Tudo isso aparece retratado de alguma forma em “Alimentário”. É necessário olhar tudo com calma e absorver o que uma pintura de Portinari ou um quadro de Lasar Segall tem a nos dizer. Lasar Segall, por exemplo, passou a explorar cores muito mais vivas em comparação às que usava até então, ao observar e pintar as vegetações brasileiras.

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A cozinha é o local de reunião da família e por isso, pessoal. Mas é também onde o mundo inteiro se encontra, nos alimentos que consumimos. Nossos hábitos, quando paramos para refletí-los, tem muito a nos ensinar.